quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pro Evolution Soccer 2013 - Análise



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É seguro dizer que Pro Evolution Soccer (PES) melhorou muito na última edição. A Konami deu ouvidos aos fãs de longa data e isso só trouxe resultados positivos. A versão PES 2012 marcou um desvio significativo com o que era até então dominante na série. Regressando sobretudo às origens, apostando numa física de jogo que incrementa o realismo e torna o jogo mais cerebral, manual, pausado edisputado, a presente edição vai ainda mais longe nessa direção e por isso a Konami tem motivos para festejar, agora que encontrou um rumo que permite chegar com mais corpo e alma ao interesse dos fãs. 
A Konami está atenta à comunidade. É a comunidade de adeptos PES que dá alento e estímulo a uma série para se renovar com sucesso todos os anos. Sem o feedback dos fãs, os grupos de desenvolvimento sediados no Japão viveriam demasiado isolados e distantes do feedback dos jogadores. Mas as vozes dos adeptos e amantes de PES têm recebido acolhimento e perante isso é cada vez mais necessário ajustar o futebol virtual à realidade dos dias que correm e sobretudo à geração que vai longa, mas que ainda encontra no engenho dos produtores muita matéria nova para surpreender. 
Certo é que PES 2013 é uma grande futebolada. É mesmo o melhor PES para a atual geração de consolas. Tal como disse atrás, PES 2012 deu um bom salto qualitativo. PES 2013 é a confirmação de que a bola vai rolar com fartura nos relvados da Konami. E foram várias as transformações levadas a cabo pela equipa PES Team, agora sem a tutela do conhecido Shingo "Seabass" Takatsuka, para chegar a esta experiência que irá deixar os fãs com motivos para sorrir. Uma física de bola muito melhor, comportamentos mais realistas e humanos dos jogadores, mais controlo de bola, oportunidades criativas de golo e maiores ligações às comunidades de jogadores de PES. É certo que ainda faltam algumas ligas oficiais, mas a entrada para a Liga dos Campeões continua a ser uma aposta ganha e a Liga Master subdividida entre modo treinador e jogador rumo ao estrelato, continuam a ser opções valiosas que rendem por mais de uma temporada. 

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Mas é sobretudo o coração do jogo, o sistema de passe, posse e troca de bola que está a fazer toda a diferença e a puxar PES 2013 para um novo nível. Os controlos e as animações dos jogadores nunca foram tão autênticos e realistas. A começar pelo guarda-redes que fecha muito melhor a baliza e a acabar no ponta de lança de craveira que é capaz de criar as mais belas e arrojadas finalizações, a imprevisibilidade dos lances é bem maior. Os ressaltos acontecem mais vezes, os jogadores perdem a bola em função de pequenos contactos e o comportamento dos jogadores é menos robótico e previsível já que a inteligência artificial também foi alvo de tratamento. No fundo, PES 2013 é quase uma nova experiência. 
Cristiano Ronaldo continua a ser a figura de destaque, o rosto supremo de PES. A Konami optou por renovar o acordo com o avançado do Real Madrid, que continua a disputar os troféus de melhor jogador da Europa e do Mundo e daqueles que é capaz de desequilibrar uma partida transformando lances perigosos em golos marcantes. Se fora do campo já sabemos o que podemos esperar do jovem oriundo da Madeira, assumir o comando dele em jogo é testemunhar mais autenticidade. Cristiano Ronaldo, seja no Real Madrid, seja na seleção portuguesa, desequilibra, mas não só pode fazer a diferença no confronto individual como também o vemos lançar-se em rápidas acelerações, num drible que é só seu, enquanto espalha o caos na área defensiva dos adversários. Esta reprodução fiel do comportamento do avançado português faz parte de um dos novos elementos do jogo, o player ID, que essencialmente traz mais individualidade ao capturar com sucesso os movimentos fulcrais dos jogadores mais conhecidos. O motor gráfico é novamente posto à prova, e de um modo geral vem permitir um grafismo convincente, ainda que a espaços e nalgumas repetições de maior concentração de jogadores possa ocorrer alguma quebra de frame rate.

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E se Cristiano Ronaldo é apenas um exemplo do melhor que o futebol mundial conhece, há outros jogadores que evidenciam todo um estilo. Escusado será dizer que só o Barcelona conta quase com um punhado deles. Messi, Iniesta e Xavi são únicos a movimentarem-se pelo campo. A facilidade com que podem passar por adversários confunde-se com o nome e número que ostentam na camisola. Dominar as técnicas essenciais de PES leva algum tempo. Qualquer pessoa consegue jogar PES, mas teclar o coração do jogo isso implica muito treino e preparação. Contudo e com os melhores do mundo o que sobra é futebol impressionante.
Outro exemplo podemos apontar através da seleção brasileira. Ronaldinho ainda é um clássico, mesmo que lhe falte a explosão de outrora. Porém, quando entra Neymar em ação rapidamente descobrimos identidade e qualidade. Características que passam depois pelas seleções da Europa e de outros craques como Balotelli na Itália ou Ozil da seleção germânica. O trabalho final é muito bom. As animações e modelação dos jogadores mais conhecidos estão impressionantes e o seu estilo de jogo é inconfundível. Até as celebrações foram devidamente capturadas.
Os guarda-redes não foram esquecidos e o resultado de um trabalho suplementar em fazer deles uma figura chave no desenrolar de uma partida vê-se nos movimentos. Eles não esperam tanto pela bola. Agora antecipam-se aos lances e gerem a sua posição no campo com renovada atenção. Agora vêmo-los a fechar cruzamentos socando para a frente, mas sem desguarnecer o espaço em aberto, recuando de costas muitas vezes para socar segundas bolas por cima da trave. Há jogadores que pegam lume nos remates e esses lances serão para um Buffon ou Casillas oportunidades para manter a baliza inviolável desviando a bola. Melhor posicionados e com redobrada atenção ao fluir do jogo, não é tão fácil batê-los sobretudo se jogarem com mais dificuldade.

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Porém, a maior alteração em PES 2013 resulta do sistema PES full control. Essencialmente define-se como o novo sistema de jogo que vem acrescentar mais autonomia e poder de controlo ao jogador. A partir daqui é possível criar mais situações e alcançar uma individualidade no rumo das partidas, sobretudo nas desmarcações, toques de bola, fintas e remates à baliza com possibilidade de direcionar o remate. É este sistema que vai fazendo a diferença.
Desde logo porque é possível executar passes curtos e tabelinhas com outro nível de precisão e autonomia. Aquele estilo de jogo tão típico do Barcelona tem aqui expressão. A sua execução na perfeição dependerá do aproveitamento que fizerem dos espaços. Podem assim executar jogadas como lançar um passe para a frente, executar a tabela com o jogador recetor usando o botão R2 (versão PS3) e devolver a bola ao jogador que entretanto se desmarcou em condições ótimas para lançar uma jogada ofensiva. A vantagem deste sistema é que pode ser aplicado não só com um ou dois jogadores, mas usando, por exemplo, o meio campo para fazer circular a bola com aparente facilidade. Os médios terão de ser criativos e esta tarefa não é fácil para jogadores menos cotados.
O mesmo se aplica aos remates, que agora podem ser efetuados com precisão e direção. Anteriormente qualquer chuto à baliza tinha uma orientação mais ou menos definida, mas agora é possível apontar para um ponto da baliza em concreto e disparar a bola nessa direção. É um processo delicado para dominar. Há um "timing" muito restrito para efetuar as combinações, mas é fantástico fazer um cruzamento para a área, ter um jogador próximo da área a receber a bola quase ao primeiro toque e rematar de primeira para a zona da baliza bem próxima do ângulo superior.
Os passes também podem ser executados com total autonomia. É a primeira vez na série que se pode executar um passe numa direção pretendida. Isto tanto promove as ações ofensivas como defensivas, neste caso se pretendemos manter a bola fora do alcance do oponente. Porém, é nas movimentações ofensivas que esta opção dará mais frutos, especialmente quando chega aos pés de médios criativos como os jogadores do Barcelona. Isto representa a oportunidade perfeita para fintar os adversários e ganhar espaço ofensivo sem recorrer a fintas ou técnicas especiais.
A possibilidade de executar passes manuais funde-se bem com o novo sistema de inteligência artificial denominado Pro Active. Por intermédio desta melhoria, os jogadores que estão sem bola movimentam-se por antecipação, procurando espaços soltos enquanto solicitam um passe acenando com o braço. Por outro lado, os colegas de equipa movimentam-se como um todo em função do jogador que tiver a bola. Não ficam distantes ou parados num ponto do relvado. O resultado deste sistema é bem positivo e permite criar mais lances ofensivos e configurar as jogadas com outra profundidade. Os passes deixam de sair para uma direção geral e podem ser colocados com mestria num ponto concreto do campo. Pirlo é um dos jogadores que dará o melhor encaminhamento a estes lances já que podem ser executados por alto.
O trabalho defensivo não foi esquecido e neste campo a Konami criou mais algumas soluções que permitem aos defesas vigiar melhor a bola. A interceção de passes ou desmarcações pode efetuar-se por via lateral com a perna esticada, mas a grande novidade é a marcação ao avançado, usando o botão R2, em conjugação com o X para fazer um cerco ao adversário e esperar pelo momento oportuno para tirar a bola (pressionando X duas vezes). De resto, o trabalho defensivo continua a ser bem executado pelos defesas de maior capacidade. Pepe, da seleção nacional, continua a ser uma autêntica vassoura, sacudindo para fora da área todas as bolas que se aproximem por baixo ou por cima. Ele também integra o núcleo de jogadores que conta com animações especiais.

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Quanto à atuação da arbitragem, existe uma tendência para não deixar passar em claro e muitas vezes amarelar jogadores que tenham algumas entradas laterais com intenção de fazer estragos no adversário. Faltas cirúrgicas são assinaladas, mas se assumirem uma postura de golpes nos pés e nas pernas dos adversários preparem-se para perder 1 ou 2 jogadores
Como é hábito por parte da Konami, "os timings" para a execução da maioria dos movimentos e toques de bola implicam muita prática. Daí que os produtores tenham dado uma nova dimensão ao modo treino, ao ponto de o tornarem numa opção quase obrigatória assim que entram no jogo. Não se trata de um treino em aberto, mas antes de um "tutorial" que explica como executar com sucesso lances defensivos, processos atacantes e outros momentos singulares do jogo. Com paciência e prática é possível adquirir a experiência necessária para materializar nas partidas todas as técnicas novas e outras, mais antigas.
Em termos de opções de jogo vão reparar que agora existe um "widget" no canto superior esquerdo que permite controlar o acesso à comunidade de jogadores PES na qual estejam inscritos. Esta ferramenta pode ser usada em qualquer altura, até mesmo durante o decurso de uma partida de futebol singular. Ao pressionarem o botão R3 abrem um quadro que vos dá acesso a um conjunto de informação e a partir do qual podem convidar colegas da comunidade para uma série de jogos e afins.
No que respeita à Master League a Konami procurou corrigir algumas diferenças, sobretudo no modo online ao equilibrar as competições, colocando os jogadores com menor ranking a competir com outros jogadores dentro do mesmo valor. Desta forma sempre se evita o dissabor de ter de enfrentar adversários mais poderosos.
O ambiente vivido nos estádios é igualmente efusivo, marcado pelos cânticos entoados pelas claques de ambos os clubes, mas com particular ênfase para a equipa da casa, especialmente quando alguns dos seus jogadores fazem golo. Os comentários em português estão novamente a cargo de Luís Freitas Lobo, que volta a emprestar a sua voz e saber para avançar com as conclusões no final dos jogos, enquanto que Pedro Sousa volta a ser o narrador da partida. Ambos desempenharam um bom trabalho e os seus comentários tendem a fluir bem no decurso do jogo.

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A banda sonora também foi renovada, com temas mais atuais e aqui deixo-vos a surpresa que Neymar e Cristiano Ronaldo lançaram há uns tempos. Quando chegarem ao menu do jogo vão descobrir a beleza do Ai Se Eu Te Pego de Michel Teló. Quer se goste ou não, certo é que fica rapidamente no ouvido.
Há novos estádios, perfazendo agora um total de mais de quatro dezenas de arenas para a prática do futebol. Entre as novidades contam-se sobretudo os relvados espanhóis e entre eles estão o Vicente Calderón, o Campo San Mamés, o Ramón Sánches Pizjuan, o Estádio RCD Espanyol, La Rosaleda. Em termos de licenças, a Konami enfrenta ainda algumas resistências para oficializar mais campeonatos, sendo esse um dos pontos mais sensíveis desta edição. Com efeito, seria desejável contar com a liga inglesa e portuguesa completas.
A liga espanhola tem sempre valor e é uma mais valia que esteja completa à semelhança da liga francesa e holandesa, mas é uma falta significativa encontrar apenas o Manchester United disponível para a liga inglesa e ter de recorrer ao editor para colocar os nomes corretos dos outros clubes. No que respeita à liga portuguesa, a mesma não é oficial e só os símbolos do Porto, Benfica, Sporting e Braga se encontram devidamente representados, também com os seus estádios, embora neste caso se tenha de excetuar o do Braga. A inclusão do campeonato Brasileiro vem aumentar o número de clubes oficiais, muitos deles prontos para dar novo alento à Copa dos Libertadores. Neymar é neste território o "ponta de lança" de serviço, dando capa ao jogo.
Depois haverá alcunhas para colecionar, podendo escolher uma delas para o vosso perfil. Começam por termos básicos (três deles desbloqueados), mas vão obtendo outros à medida que adquirem cotação vencendo partidas. Todos querem ter as melhores alcunhas para exibir, por isso, muitas vitórias é o que se espera para chegar aos epítetos raros.
PES 2013 dá aos fãs aquilo que eles querem. Mais poder de bola, mais autonomia no passe e no remate, mais poder defensivo e mais caracterização nos movimentos dos jogadores conhecidos. Tudo argumentos que colocam a presente edição num patamar superior ao da edição passada. PES continua a ser por isso uma marca de valor e desta vez os fãs irão aceder a uma experiência não só renovada como mais profunda, autêntica, sólida e realista. A ausência da liga inglesa em termos oficiais e as parcas novidades em modos de jogo beliscam pouco aquilo que se torna essencial, a experiência de jogo. E a verdade é que PES 2013 não dá um passo em frente nesse sentido, mas um salto significativo face ao que conhecemos até hoje. A Konami deu resposta aos pedidos dos fãs, a sua equipa interna renovada teve efeitos e melhora a olhos vistos a cada nova edição. Sendo esta uma temporada especial para a série, os interessados irão facilmente descobrir as melhorias e readquirir total empatia. 

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